quinta-feira, 30 de abril de 2009

A Escola forma gente para o futuro ou para o passado ?

uma transformação profunda: a computação vai ser centralizada numa grande nuvem, acessível pela internet - e isso muda tudo

Este será o seucomputador

O mundo da tecnologia está às portas de uma transformação profunda: a computação vai ser centralizada numa grande nuvem, acessível pela internet - e isso muda tudo
Fotomontagem Germano Lüders
Data center da Locaweb, em São Paulo: as empresas estão trocando a compra de equipamentos pelo aluguel
Por Camila Fusco | 16.04.2009 | 00h01

Revista EXAME -

O empresário carioca Marcelo Marzola, de 32 anos, se considera bastante versado em computadores, mas isso não o exime de passar apertos tecnológicos. Nos últimos anos, ele já teve vários discos rígidos queimados, e cinco pen drives seus simplesmente pararam de funcionar. Um deles o deixou na mão há dois anos, diante de uma plateia de 200 universitários em São Paulo. O dispositivo que continha a apresentação que Marzola faria simplesmente apagou. Os primeiros instantes foram de pânico. Os seguintes, de alívio. "Eu tinha feito uma cópia em um disco virtual. Acessei o documento pela internet. Foi minha sorte", diz Marzola. O executivo não sabe exatamente onde estava sua apresentação, mas isso pouco importa. A única certeza é que o arquivo estava armazenado em algum servidor do Google pelo mundo - ou, como se diz hoje em dia no mundo da tecnologia, na nuvem.

A indústria da computação é conhecida por criar jargões de curta vida útil, mas também por sofrer transformações profundas. Tudo indica que a computação nas nuvens, que salvou Marzola de um vexame, representa muito mais do que simplesmente a expressão da vez. A ideia de que a computação vai acontecer cada vez mais remotamente, em grandes parques de servidores interligados pela internet, promete mudar para sempre a maneira de lidar com os computadores.

Os PCs que conhecemos hoje são apenas a mais recente encarnação de uma máquina que nunca parou de mudar. No início dos tempos, o computador ocupava uma sala inteira, custava uma pequena fortuna e era privilégio exclusivo de grandes companhias. Depois vieram os minicomputadores, rapidamente suplantados pelos computadores pessoais - hoje ameaçados pelos smartphones e pelos netbooks, dispositivos de recursos técnicos modestos, mas perfeitamente adequados para a conexão com a internet. Com o movimento em direção à computação nas nuvens, ou cloud computing, no termo em inglês, o computador vai tomar uma nova forma. Ou, mais precisamente, ele vai perder sua forma, se dissolver, se esvaziar - talvez até mesmo desaparecer. O poder de computação será cada vez mais centralizado, ubíquo e invisível. Com a banda larga espalhada pelas ondas do ar e aparelhos simples, muitas vezes dotados apenas de um navegador de internet, será possível acessar qualquer tipo de programa e qualquer tipo de arquivo, de qualquer lugar. Eles estarão rodando no éter, na nuvem. Os recursos de processamento e armazenamento, hoje representados por centenas de milhões de PCs em cima de mesas, vão migrar para enormes centrais de dados, ou data centers, como o que ilustra a página anterior (ao lado). E o mundo digital, mais uma vez, passará por uma profunda mudança. "Os dados seguirão os usuários, e não o contrário", diz Rishi Chandra, gerente sênior de produtos do Google Enterprise.

Como tudo o que diz respeito ao mundo digital, isso significa um negócio potencial enorme. Empresas como Google, Microsoft, IBM, Dell e até mesmo a insuspeita varejista Amazon estão se posicionando para a disputa de um mercado que movimentou 46,4 bilhões de dólares no ano passado e até 2013 deve passar dos 150 bilhões de dólares, segundo o instituto de pesquisas Gartner Group. Todas estão de olho em clientes como a Azul. Quem chega hoje ao check-in da mais nova companhia aérea brasileira nem imagina, mas as informações dos passageiros não estão armazenadas num PC atrás do balcão nem em um servidor no próprio aeroporto. Elas estão a centenas de quilômetros dali, num data center da Symantec, empresa especializada em segurança da informação que também está se aventurando na prestação de serviços na nuvem. Por ser uma empresa nova, que não tem de carregar consigo o peso de ondas tecnológicas do passado, a Azul optou pelo modelo mais extremo de computação na nuvem. Os PCs usados pelos funcionários que prestam atendimento ao público, em lojas ou nos balcões de check-in, são o que se convencionou chamar de terminais burros. Trata-se de máquinas extremamente simples, que acessam um servidor central e têm baixo poder de processamento. Isso representa uma economia de até 35% nos custos de hardware, sem contar a economia com a manutenção: os terminais não exigem atualizações individuais de software nem correm risco de infecção por vírus, apenas para mencionar duas vantagens.

Essa reviravolta no modelo tradicional de computação é comparada pelo jornalista americano Nicholas Carr com o advento das redes públicas de eletricidade. Durante um breve período da Revolução Industrial, as grandes companhias tinham de gerar sua própria energia elétrica, mesmo que essa não fosse sua atividade-fim. Graças a um conjunto de inovações no final do século 19, porém, tudo mudou de forma radical. Linhas de transmissão permitiram separar a geração e o uso da eletricidade. "O que aconteceu com a geração de energia há um século agora acontece com o processamento de informações", escreveu Carr em A Grande Mudança - Reconectando o Mundo, de Thomas Edison ao Google. "Sistemas privados, montados e operados individualmente por empresas, estão sendo suplantados por serviços fornecidos sobre uma rede comum. A computação está virando um serviço, e as equações econômicas que determinam a maneira como vivemos e trabalhamos estão sendo reescritas."

Do lado da infraestrutura, começam a surgir sinais inequívocos da mudança das pequenas centrais de computação privadas para as grandes estações de fornecimento global. Um dos motivos é o mau aproveitamento dos recursos. Estima-se que o típico data center de uma empresa tenha apenas 6% de sua capacidade utilizada, segundo um levantamento da consultoria McKinsey. Empresas como Microsoft e Google estão investindo centenas de milhões de dólares em inovações para levar níveis de eficiência industriais a um tipo de instalação que, em pequena escala, costuma ter doses iguais de planejamento e improviso. A Microsoft deve inaugurar neste ano, nos arredores de Chicago, um data center de 45 000 metros quadrados cujo custo é estimado em 500 milhões de dólares e que vai contar com 400 000 servidores. O Google, de seu lado, foi ainda mais longe. Em vez de usar geradores em seus data centers, a empresa decidiu embutir uma pequena bateria em cada um de seus servidores, projetados e montados pela própria empresa. Além de mais barata, a solução garantiu a elevação dos índices de eficiência energética de 95% para 99%. A varejista Amazon oferece sua estrutura de mais de 100 000 servidores num modelo de aluguel. Basta um cartão de crédito para reservar um espaço no sistema que mantém no ar a maior operação de comércio eletrônico do mundo. A demanda cresceu de repente? Basta aumentar a capacidade contratada. Ficou aquém do esperado? Basta reduzir o tamanho do servidor virtual. Tudo é cobrado por hora de uso, como na conta de luz.

A computação nas nuvens vai transformar a infraestrutura da internet, mas seu impacto não para por aí. Os efeitos na economia serão cada vez mais visíveis, com empresas surgindo na velocidade de um clique. A facilidade do aluguel dos servidores virtuais permite a criação de companhias que existem apenas na internet, como é o caso da brasileira SambaTech, distribuidora de conteúdos digitais. A empresa trafega o equivalente a quase 5 000 DVDs por mês na rede e não comprou nenhum dos cerca de 40 servidores de que precisaria. Seus sistemas rodam em equipamentos alugados nos Estados Unidos e que em menos de 1 minuto preparam os vídeos que serão enviados aos celulares e ao YouTube. "O que permite hoje nosso negócio é o amadurecimento da internet para entregar serviços. Há cerca de cinco anos nossa empresa certamente não existiria", diz Gustavo Caetano, CEO da SambaTech.

As empresas de software também se preparam para o que promete ser a maior transformação da indústria desde seu nascimento, no começo dos anos 80. Software sempre foi vendido como um produto. O cliente compra uma licença de uso, paga um preço fechado e é forçado a pagar por frequentes atualizações - e muitas vezes também pelo serviço especializado para fazer o software funcionar. Com o modelo centralizado, a lógica passa a ser a do aluguel: paga-se uma taxa mensal, e os programas são acessados pela internet, sem nenhum tipo de trabalho extra. O exemplo emblemático é a americana Salesforce.com, de sistemas de relacionamento com clientes. Criada há dez anos, a start-up que se gabava por representar o "fim do software" finalmente começa a enxergar a realização de sua profecia. Desde 2007, a Salesforce dobrou o faturamento, para quase 1 bilhão de dólares, e chegou a 1,5 milhão de usuários. Empresas pequenas e médias ainda são a maioria dos clientes da Salesforce, mas as grandes também já começam a olhar para a nuvem com interesse. As principais iniciativas ainda envolvem nuvens privadas, ou seja, o uso de redes restritas aos funcionários. Mas a General Electric, uma das maiores companhias do mundo, contratou um sistema de gestão da cadeia de suprimentos baseado na web para controlar seus 500 000 fornecedores, espalhados em mais de 100 países, uma babel que gera custos de 50 bilhões de dólares por ano. O andamento das negociações, os contratos, as certificações e outros dados essenciais podem ser acessados de qualquer lugar do mundo: basta um computador conectado à internet. A GE também estuda alternativas para seu correio eletrônico. Entre as opções está até a versão corporativa do Gmail. O serviço de e-mail do Google é oferecido gratuitamente na web (quem paga a conta são os anunciantes), mas existe também uma versão paga para empresas. "Estamos analisando requisitos de segurança e estrutura. Se ele oferecer tudo o que precisamos, por que não?", diz João Lencioni, diretor de tecnologia da GE para a América Latina.

Para muitas empresas, porém, a opção inicial será pela criação de nuvens fechadas, como a que o laboratório Fleury montou para armazenar as imagens de exames realizadas em todas as unidades espalhadas no país. Esse é o cenário mais provável porque, apesar das promessas, as nuvens públicas têm muito a amadurecer. Ainda há um longo caminho a trilhar no que diz respeito às responsabilidades contratuais - e eventualmente legais - que os fornecedores de serviços estarão dispostos a assumir. "Essa é uma condição fundamental para o sucesso da computação em nuvem", diz Reinaldo Roveri, analista da consultoria IDC. Redes mais seguras, capazes de trafegar informações importantes, também são um ponto essencial. Outra dúvida crítica é a criação de padrões de interoperabilidade. A tentação dos grandes fornecedores é criar sistemas fechados que na prática impeçam seus clientes de efetuar uma troca de fornecedor, dada a complexidade da tarefa e os riscos envolvidos. No início de abril, a IBM apresentou um manifesto em favor de padrões únicos, mas a iniciativa foi rejeitada por Microsoft e Amazon, duas empresas-chave na onda da computação em nuvem. "As relações precisarão ser obrigatoriamente mais transparentes", diz Laura DiDio, analista da consultoria Information Technology Intelligence. Mas todas essas dúvidas, cedo ou tarde, serão resolvidas, mesmo que o preço sejam mudanças importantes no jogo de forças da indústria da tecnologia. As nuvens estão se formando no céu - mas a previsão do tempo é animadora.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Talks Larry Lessig: How creativity is being strangled by the law

http://www.ted.com/talks/view/id/187




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terça-feira, 28 de abril de 2009

Alunos que não entendem o enunciado

Grande parte dos alunos entre 17 e 21 anos tem dificuldade na interpretação de textos. Como o futuro profissional de tecnologia poderá desempenhar tarefas e trabalhar em equipe?

http://www.dificuldadedeaprendizagem.com/images/dificuldade-de-aprendizagem.jpg

Por Sthefan Berwanger


Todo ano é a mesma coisa: grande parte dos alunos matriculados em cursos superiores de tecnologia ou no bacharelado apresenta problemas na interpretação de textos.

A situação é terrível e desanimadora: em um simples texto de três linhas não se consegue identificar o que é dado e o que está sendo pedido.

Logo que comecei a lecionar não acreditava no que estava acontecendo. Afinal, a palavra estava lá escrita, clara e imutável, e as orações continham todos os elementos essenciais na ordem correta: sujeitos, verbos e predicados.

Em princípio pensei em duas hipóteses: ou era implicância dos alunos com a minha pessoa, ou os textos apresentados eram herméticos demais, sobretudo para turmas de primeiro ano.

O universo de alunos a que me refiro é composto em grande parte por jovens recém saídos do ensino médio, com idade entre 17 e 21 anos, e por uma parcela um pouco menor que tem entre 22 e 29 anos. Não é raro turmas com alunos já na faixa dos 30 ou 40 anos — e neste pequeno grupo o desempenho interpretativo é um pouco melhor, mas ainda assim segue abaixo do esperado.

Tem que entender o texto

O estudante que obtém diploma em um curso superior de tecnologia precisa, entre outras habilidades e competências, saber criar soluções adequadas aos inúmeros problemas inerentes à sua atividade profissional.

Para que esse processo ocorra satisfatoriamente, ele precisa primeiro entender o problema que quase sempre vem documentado na forma escrita. Precisa extrair as informações de que necessita e refletir sobre os caminhos que o levarão à solução.

A ditadura

Como docente, nunca havia questionado a origem desta dificuldade, até o dia em que li a entrevista do psicólogo Carlos Perktold (1) que trata justamente da dificuldade da geração pós 1964 em entender o que lê. Segundo o artigo, este fenômeno não ocorre exclusivamente na população com baixa escolaridade, não é catalogável como doença e nem é uma característica de pessoas com déficit intelectual; é sim um fenômeno intelectual de toda uma geração.

O argumento principal dado na entrevista é que após o golpe militar de 1964 houve uma castração cultural e política da geração nascida após esse período, capaz de causar um desestímulo ao hábito da leitura e por conseqüência prejudicar a capacidade crítica.

Disciplinas como Filosofia e Sociologia foram retiradas do currículo do antigo ensino clássico, atual ensino médio, porque o regime não estaria interessado na formação de pessoas capazes de analisar idéias, refletir sobre os conceitos sociais e atuar politicamente.

A televisão

Foi também a partir desse período, com o barateamento dos aparelhos, que a televisão ampliou sua participação dentro da população brasileira. O processo de expansão, que resultou na televisão como meio de comunicação de massa, se estendeu pelas décadas seguintes, com as transmissões via satélite, a melhoria da qualidade técnica e de conteúdo e a maior variedade de programas.

Desta forma, os recursos audiovisuais tomaram o lugar do texto escrito e surge então uma geração que entende o que ouve, mas não o que lê. Pode-se argumentar que o rádio também poderia ter o mesmo efeito que a televisão, mas segundo Perktold, o rádio pelo fato de não carregar a imagem, estimula o ouvinte a imaginar, fantasiar e pensar.

O que o docente pode fazer?

Então como contornar o problema? Infelizmente não é possível reverter o cenário em apenas um semestre, sobretudo pelo esforço de apenas um professor. É preciso lembrar que os educandos se submeteram, ano após ano, à mesma rotina de exposição exagerada à televisão e ausência de (boa) leitura e cultura em geral. Tentar obrigá-los a engolir textos e mais textos e a formar uma opinião crítica pode ser uma violência, com todas as suas consequências.

O que costumo fazer é explicar o mesmo exercício várias vezes, sob vários ângulos, fazer comparações e criar metáforas e analogias que tenham a ver com o universo concreto deles.

Muitas vezes dou sugestões de leitura online e off-line, indico bibliotecas públicas e também estimulo visitas a eventos culturais gratuitos, pois uma grande parte dos alunos é financeiramente carente e depende de bolsa de estudos.

Outra solução adotada é criar pequenos enunciados matemáticos com o objetivo específico de treiná-los na identificação do que é dado, e do que é pedido.

Algo bem simples, como por exemplo:

“Dada a equação z = x + y. Sabendo que x vale 4 e y vale 7, quanto vale z?”.
A internet

Falando um pouco do presente, com vistas ao futuro, está em curso uma mudança importante: o surgimento da mídia digital que gradativamente vem tomando o espaço da televisão.

A sua principal característica é a descentralização da audiência e a produção de mídia para públicos específicos. Com essa mudança de modelo em curso, seria interessante observar como a geração nascida durante a revolução tecnológica irá aprender e se comportar criticamente nesse meio, que oferece um número gigantesco de opções a respeito do que se quer ver, ler ou ouvir. [Webinsider]

Referência bibliográfica

(1) PERKTOLD, C. Assisto, logo existo. Revista Carta Capital, 7jul. 2004, n. 298, p.28-29.

Sobre o autor

Sthefan Berwanger (sthefan.berwanger@xporcento.com.br) é responsável pela área de BI da X Porcento e é professor do programa de pós-graduação pela Faculdade Impacta Tecnologia.

Fonte: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/10/24/alunos-que-nao-entendem-o-enunciado/

segunda-feira, 27 de abril de 2009

WebGincanas: Liberdade e Estrutura

Retomo aqui assunto que já abordei outras vezes neste Boteco. Uso de novos meios de comunicação e idéias mal assimiladas de construtivismo podem levar a um laissez faire pedagógico cujo exemplo mais frequente é o pedido docente “procurem na Internet“. Por isso é comum a gente ver muitos estudantes completamente perdidos no imenso mar de informações do ciberespaço. Vez ou outra, algum desses náufragos de Internet joga uma garrafa ao mar, esperando ser resgatado por alguém de boa vontade. Durante alguns anos fiquei à disposição de educadores para responder questões sobre WebQuests no site da Escola do Futuro da USP. De vez em quando, os correspondentes não eram professores, nem o assunto era WebQuest. Quase toda semana eu recebia algum pedido desesperado de estudantes cujos professores haviam dito a fala mágica “pesquisem na Internet”.

Lembro-me de que certa vez um estudante de ensino médio me escreveu pedindo uma informação bem organizada, escrita numas duas páginas, sobre Revolução Industrial, relacionando tal evento histórico com a dinâmica da economia atual. Na prática, ele me pedia para elaborar um trabalho escolar solicitado pelo docente. Ele deve ter buscado na Internet. Há muita coisa sobre o assunto na rede mundial de computadores. Mas marinheiros de primeira viagem têm muita dificuldade para encontrar o “tesouro”. Eles têm dificuldade para selecionar informações de qualidade. Têm dificuldade para transformar as informações encontradas num novo produto. Alguns descobrem sites onde há educadores de plantão para fornecer respostas sobre um assunto. E mesmo que o tema estudado nada tenha a ver com a pauta de tais educadores, usam o serviço de apoio para pedir socorro. O caso mais famoso que conheço é o de um aluno que entrou num site de bioética para doutorandos em filosofia, pedindo ao responsável, o filósofo Aquiles von Zuben, que lhe mandasse rapidamente um texto curto sobre o sentido da vida, tema que seu professor havia pedido para pesquisar na Internet.

Os dois casos aqui relatados mostram situações nas quais os alunos vão para a Internet sem ajuda de qualquer estrutura capaz de apoiá-los na busca. É quase certo que os professores desses alunos acham que não podem fornecer dicas ou modos de organizar a busca porque acreditam que os estudantes devem “construir o próprio conhecimento”. E isso não é um equívoco apenas de professores do chão-de-escola. Há acadêmicos influentes que pensam da mesma forma. Numa mesa redonda num programa de TV introduzi a idéia de estrutura dizendo que os professores devem ser como cartógrafos, elaborando mapas que ajudem seus alunos a navegar pelos mares da Internet. Um figurão da academia ficou impaciente. Pediu a palavra. Me disse que eu parecia ignorar que os alunos devem construir o conhecimento e pontificou que os estudantes devem ser tudo na navegação: cartógrafos, pilotos, navegadores, descobridores. Só não medisse como marinheiros de primeira viagem podem construir mapas de certas áreas de conhecimento sem nada saber sobre elas. Por isso continuei a pensar que mapas de navegação precisam ser feitos por conhecedores do assunto, os professores.

Enfrentamos aqui uma situação delicada. Educação é uma atividade cujo sucesso é medido pela autonomia intelectual de quem estudou uma matéria ou assunto. Ou seja, sabemos que houve boa educação quando os formandos são capazes de elaborar saberes sobre o assunto estudado sem tutela de professores ou de qualquer outros agentes culturais. A palavra para isso é autonomia. Por isso a orientação do ensino numa perspectiva construtivista é tão importante. Por outro lado qualquer processo construtivo progride mais quando os construtores podem contar com andaimes e ferramentas já prontas. É assim que entendo o papel de WebGincanas. Vejo-as como mapas que podem facilitar navegações pela Internet. Se você prefere a metáfora da construção, vejo WebGincanas como andaimes e ferramentas que facilitam construção de saber inicial sobre um assunto, com uso de informações existentes na Internet.

Não falei explicitamente de liberdade. Alguns a entendem como situação na qual os alunos tomam todas as decisões sobre o processo de aprendizagem. Não vejo a coisa desta maneira. Penso que os professores podem fazer propostas. Podem inclusive organizar estruturas. Não acho que com isso os alunos não terão liberdade. Boa aprendizagem é resultado de negocição de significados. Algumas vezes parece que o professor deve ter a primeira palavra para que a negociação comece.

Já abordei a questão de liberdade e estrutura numa coleção de eslaides publicada no meu espaço do Slideshare. Ao ver tal matéria, repare que o modelo WebGincana estava num estágio de desenvolvimento que não incluía algumas das características atuais. Tirante este detalhe, acho que o material ainda é uma boa referência para conversas sobre fundamentos do modelo de estrutura ao qual dei o nome de WebGincana.

Slideshare




fonte: http://jarbas.wordpress.com/

sábado, 25 de abril de 2009

Junte-se a essa "gang"

Junte-se a esta ‘Gang’ (Excelente!!!!)
Postado por Hélio Teixeira em Friday, 24 April 20092 Comentários

Quando o assunto é Educação Pública, todos são unânimes (ao menos no discurso) em afirmar: “os investimentos em Educação devem ser uma prioridade de Estado”. Este aliás, parece ser o “mandamento” número UM da cartilha do bom gestor público. Apesar dos discursos politicamente corretos dos nossos gestores, há que se admitir que ainda estamos longe da situação ideal. Como bem disse o gênio Cazuza, ”…a tua piscina tá cheia de ratos. Tuas idéias não correspondem aos fatos…”, ou seja, o discurso da imensa maioria desse pessoal, é pura demagogia!!!!

É preciso entender que idéias, por melhores que elas sejam, só transformam uma realidade se forem sustentadas por ações práticas e efetivas. Só o blá, blá, blá… não resolve nada!!!

O fato mais revoltante desta história trágica, é que existe uma infinidade de ótimas experiências espalhadas pelo mundo (Finlândia, Tigres Asiáticos, Suécia, Dinamarca…), que poderiam muito bem (se houvesse de fato vontade de fazê-lo!!!!) servir como inspiração para tirarmos a Educação Pública brasileira do abismo onde ela se encontra.

Semana passada, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicou uma pesquisa que desfaz (ao menos em parte) um dos maiores mitos em torno de um problema importantíssimo para a educação brasileira, a evasão escolar entre jovens e adolescentes. Segundo os pesquisadores da FVG, ao contrário do que se imaginava, a principal causa do abandono escolar entre os jovens não é a necessidade de trabalhar (para ajudar no sustento da família) e sim a falta de interesse na escola. Ainda segundo a pesquisa, uma parte considerável dos jovens que abandonam as salas de aula, não consegue perceber como os seus estudos podem melhorar as suas condições de vida e das suas famílias. Para eles estudar, além de trabalhoso e chato, não leva a lugar nenhum, é uma completa perda de tempo.

Ao que parece, este quadro preocupante não é um problema exclusivo do Brasil. Esta semana me deparei com uma campanha muito interessante feita pela Universidade de Johannesburg, na África do Sul, que visa combater justamente esse problema. A universidade sul-africana realizou uma pesquisa entre jovens e adolescentes em idade escolar e, para surpresa geral, chegou às mesmas conclusões do estudo feito pela FGV. Uma parcela significativa dos jovens sul-africanos, simplesmente não vêem os estudos como algo importante em suas vidas.

Para tentar fazer “a ficha cair” na cabeça dos jovens daquele país, a Universidade de Johannesburg contratou a Agência HKLM Connect que criou a campanha intitulada “Rethink education. Reinvent yourself” (Repense a educação. Reinvente-se). Além de uma excelente direção de arte, a campanha tem um conceito maravilhoso!!!!

Confiram as imagens no site http://comunicacaochapabranca.com.br/?p=5660

O que é real

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Professores pseudo-adolescentes e a síndrome do “Orkut presencial”

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Professores pseudo-adolescentes e a síndrome do “Orkut presencial”

Porque o Orkut e o MSN fazem tanto sucesso entre os alunos na faixa etária dos 11 aos 17 anos, justamente quando estão em um período reconhecidamente complexo de suas vidas chamado de "adolescência"?

Não é preciso ser nenhum especialista em psicologia da adolescência para concluir algo que é até excessivamente visível: é nessa época em que os jovens investem quase todas as suas energias nas relações sociais. O Orkut e o MSN são para eles simplesmente expressões modernas da possibilidade de ampliarem e intensificarem seus relacionamentos sociais.

A adolescência é linda! É uma época de descobertas, transformações e inquietações. Os hormônios invadem a corrente sanguínea e despertam, dentre outros efeitos, emoções, sensações e comportamentos diretamente ligados à necessidade biológica de inserção em grupos sociais. O corpo se transforma, os interesses mudam, novas necessidades surgem e os casulos vão se rompendo aos poucos, em uma metamorfose esplêndida.

Metralhados por todos os lados pelo marketing da sociedade de consumo, à caça de valores em um mundo que lhes pode oferecer qualquer coisa, com ou sem valor, em um tempo de suas vidas em que "ética", "moral" e "valores" são conceitos ainda em formação em cada um deles e, contando muito pouco com “modelos adultos” para se inspirarem, como vivem e sobrevivem esses adolescentes? O que a escola tem com isso?

Se os adolescentes não frequentassem a escola, e se não fosse justamente nesse período onde o seu aprendizado é mais prejudicado, a escola certamente não teria com o que se preocupar. Mas não é assim e, justamente por ser a escola atual o ambiente de relacionamento social mais intenso desses adolescentes, é que se faz necessário refletir um pouco sobre como podemos compreender melhor o comportamento adolescente na escola e porque nós, professores, temos um papel importante nesse comportamento.

Se você conhece algum adolescente que procura ficar sozinho, não tem muitos amigos e “não se entrosa muito bem com os demais”, fique de olho, ele pode estar com algum problema! Você já deve ter ouvido isso muitas vezes, não é mesmo? É claro que existem adolescentes assim, “quietos”, mas, ou eles realmente têm problemas, ou são exceções e podem ser eliminados da regra geral sem prejuízo do raciocínio.

Quando colocamos dois adolescentes juntos em uma sala fechada, rapidamente eles engatam alguma conversa. Se colocarmos dez deles em uma sala, sairá de lá uma grande discussão e uma conversa desorganizada beirando ao caos. Com vinte deles já temos uma situação onde é praticamente impossível manter qualquer conversa sem gritar no ouvido do outro, tamanho é o barulho das tantas conversas paralelas entre eles. Por fim, se juntarmos trinta ou quarenta deles em uma mesma sala, sabe o que teremos? Teremos uma sala de aula! :)

É bastante comum ouvirmos expressões como: “os adolescentes de hoje não tem limites”, “fulano não teve educação em casa”, “sicrano não tem noção de civilidade” ou “beltrano não consegue ficar quieto”. Sem contar as famosas queixas “daquela quinta série insuportável”, “daquele primeiro colegial que fala o tempo todo”, e por aí vai... É raro um professor que consegue falar para sua turma de adolescentes sem que algum deles lhe interrompa para soltar alguma gracinha, ou que simplesmente ignore a fala do professor e engate uma conversa com o colega ao lado. Quase tão raro quanto encontrar um professor que compreenda que “esse é o estado natural de convivência dos adolescentes”.

Adolescentes não respeitam uns aos outros, eles competem por popularidade, liderança e destaque no grupo. Adolescentes desconhecem a mecânica das conversações argumentativas, eles disputam opiniões no grito e, às vezes, no braço. Adolescentes não têm interesse por temas desvinculados de suas problemáticas pessoais e momentâneas, eles passam o tempo todo conversando sobre si mesmos. É isso que fazem no Orkut, é isso que fazem no MSN e é isso que fazem na moderna versão presencial desses ambientes: a escola!

Se hoje é muito difícil mantê-los calados ou focados em outra coisa que não seja neles mesmos, não é porque os adolescentes mudaram muito em relação ao que fomos quando éramos adolescentes, mas porque mudou a escola, a sociedade e os valores que pais, professores e alunos cultivam. É dessa mudança, desigual, assíncrona e despropositada, que nascem os conflitos em sala de aula, teorias pedagógicas conflitantes propondo resolvê-los e, invariavelmente, duas situações inconciliáveis: a do professor que vive profundamente incomodado com a “falta de modos” dos seus alunos, e a dos alunos, que vivem profundamente insatisfeitos com o professor que lhes incomoda e tenta impedi-los de fazer aquilo que eles vêm como necessário e natural na escola: socializarem-se.

Se houve um tempo em que dois alunos conversando, enquanto o professor falava para a classe toda, era visto como falta de educação, hoje os alunos vêem como impertinente o comportamento do professor que lhes chama a atenção e pede que encerrem sua conversa. Mas porque isso acontece? Porque os alunos hoje se sentem no direito de enxergar na escola apenas um “Orkut presencial”? E porque isso se dá, surpreendentemente, apenas com alguns professores e não com todos?

Se você perguntar para um aluno porque que ele conversa na aula do professor X e fica quieto na aula do professor Y, ele provavelmente lhe responderá que é porque o professor Y é chato, pega no pé, não tem respeito pelos alunos e por qualquer bobagem toma atitudes punitivas injustas. Enfim, o professor Y, que o aluno parece não gostar, mas respeita, é bastante diferente do professor X, que o aluno invariavelmente gosta mais e respeita menos. O que torna o professor X diferente do professor Y não é realmente a simpatia, a equidade, a justeza de atitudes ou qualquer outra coisa do gênero, mas sim, e tão somente, o grau de “pseudo-inserção na turma” que cada professor tem.

Professores do tipo X que, como adolescentes, convivem com a algazarra e se fazem ouvir pelos berros que dão, são, aos olhos dos seus alunos, adolescentes crescidos e ridículos que podem ser ignorados como membros desqualificados da turma, como outros adolescentes sem importância dentro do “grupo-sala”. Quando esses professores têm seus acessos de fúria e exigem respeito, os adolescentes os vêm como colegas sem mérito disputando a liderança do grupo e, não raro, vê-se um grupo todo de adolescentes insurgindo contra esses professores e criando verdadeiras “brigas de torcida”, onde o professor em questão ouve os mesmos elogios que os árbitros de futebol. Ainda que esses professores sejam apontados muitas vezes como os “mais legais”, eles só são apontados assim quando não estão em situação de conflito e nem tentando subverter a “ordem adolescente” estabelecida na sala de aula. As aulas desses professores são classificadas pelos próprios alunos como “perca total” (corruptela de "perda total"; expressão que tem um significado mais ou menos próximo de “aula onde não se aprende nada, mas que pelo menos se pode fazer a bagunça que quiser”).

Do outro lado, o professor Y, aquele sujeito chato, injusto, pegajoso, que pune por qualquer bobagem, exige silêncio durante suas falas, “explica mal”, “é mal educado, grosso e arrogante”, etc. etc., distanciando-se, propositadamente ou acidentalmente, do perfil adolescente, é visto como o “adulto chato”, “aquele que manda”, “aquele que não compreende o adolescente” e que, por isso, não pode e nem deve ser tratado como se fosse do grupo. Ele não merecerá elogios fáceis e receberá muitas críticas, mas será tratado como o “macho alfa” do bando (ou “fêmea alfa”, se for mulher). Se for justo e fizer uso de sua autoridade nos estritos limites do seu dever de ofício, acabará por conquistar o respeito “natural” de alguns alunos e poderá até mesmo se tornar modelo para os líderes dos diversos bandos adolescentes que disputam liderança entre si. Um dia talvez seja lembrado como “o Sr. Y, aquele que era f..., mas era legal e ensinava prá valer”.

Um pouco por obra da mídia, outro tanto pela adoção pela sociedade de um modelo de “ética de consumo” mas, principalmente, por demérito próprio, o professor, seja lá qual for o perfil dele, X ou Y, sempre encontrará pela frente novas turmas que disputarão consigo a liderança da classe. E essa é a grande diferença em relação às gerações passadas! Talvez, a única diferença significativa.

Nessa luta, se ele for do tipo X, rapidamente se dará um “acordo em desacordo de cavalheiros com modos rudes”, onde o professor aceitará passivamente uma liderança compartilhada em troca da pseudo-simpatia dos alunos (que, na verdade o desprezam pela frouxidão que demonstra e jamais o pretendem como modelo) e do baixo nível de cobrança que terá deles e do sistema (que tende a premiar ou ignorar o professor que passa desapercebido).

Se ele for do tipo Y terá de enfrentar vários adolescentes que disputam entre si (e não com o professor!!!) a liderança de seus grupos e que vêm no conflito com o “macho-alfa” (ou “fêmea-alfa”) uma forma de demonstrarem sua valentia; enfrentará, muito possivelmente, gestores que alegam já terem muita burocracia para cuidar e se incomodam quando há conflitos e questões pedagógicas para lidarem; terão de encarar pais que, tendo compartilhado a liderança de seus lares com seus filhos adolescentes, mas tendo também que vestir a fantasia de “pais protetores” perante a escola e a sociedade em geral, cobrarão desses professores “mais justiça com seus filhos”, “mais compreensão”, “mais tolerância”, enfim, mais tudo daquilo que eles mesmos deram tanto a ponto de perderem até mesmo a noção de que os seus filhos adolescentes, por mais incríveis que sejam e por melhor compreendidos que forem, serão apenas adolescentes até o dia em que conseguirem se tornar adultos (quiçá, bons adultos baseados em bons modelos).

Atualmente existe uma confusão muito grande entre o que se deve entender por “professor autoritário” e o que significa ser um “professor com autoridade”. Professores autoritários já estão extintos, foram-se junto com a escola autoritária, com os pais autoritários e com a sociedade autoritária de outrora. Nenhuma escola, lar ou instituição social, e creio que nem mesmo o próprio exército, consegue ser “autoritário” no contexto social em que vivemos. Donde decorre que o único meio pelo qual o professor pode garantir sua autoridade consiste justamente na sua capacidade de manter a autoridade que ele naturalmente tem por obra de seu ofício, pela compreensão da importância de representar um bom modelo adulto para os seus alunos e pela fibra moral de seus valores pessoais. O professor já vem para a escola com sua autoridade embutida nele. Ele pode perdê-la, abrir mão dela ou, simplesmente, não encontrá-la em si mesmo, mas ele não precisa buscá-la em nenhum outro lugar.

Ser capaz de gerir os conflitos em sala de aula, estabelecer regras justas, torná-las de conhecimento geral, não modificá-las por simpatia ou antipatia com alunos específicos e fazê-las cumprir com equidade e justiça; compreender as causas e formas de conflito mais comuns, manter-se sempre no nível superior das tomadas de decisão e não se deixar confundir com os próprios adolescentes em disputa; não se permitir ser influenciado psicologicamente pelos alunos e não perder o seu controle emocional, seus objetivos pedagógicos e suas metas como educador; isso tudo não é nada além do que a obrigação mínima de qualquer professor adulto.

Enfrentar os desafios que se seguem naturalmente dessa postura, orientar alunos e pais de alunos, administrar os conflitos com a gestão da escola e, ao final, produzir alunos com melhor aprendizado, mais habilidosos e capacitados para enfrentar uma vida de adultos, proporcionando a eles um modelo adulto de professor; isso tudo não é nada além do que a obrigação mínima de qualquer professor adulto.

O Orkut e o MSN são, naturalmente, espaços virtuais livres para a socialização dos adolescentes. O pátio da escola, a balada de fim de semana, o passeio com os amigos, as rodas de conversa nas calçadas, todos esses, são espaços reais livres para a socialização dos adolescentes. A sala de aula não! A sala de aula é um espaço para a socialização do conhecimento.

A sala de aula NÃO É um “Orkut presencial".

terça-feira, 21 de abril de 2009

Unesco lança sua Biblioteca Digital Mundial

PARIS, França (AFP) — A Unesco lança oficialmente nesta terça-feira a
Biblioteca Digital Mundial, um site que oferecerá gratuitamente um acervo
excepcional de livros, manuscritos e documentos visuais e sonoros
procedentes de bibliotecas e arquivos do mundo todo.

O site da Biblioteca Digital Mundial (BDM) funcionará em sete idiomas
(árabe, chinês espanhol, francês, inglês, português e russo).

A Unesco sempre considerou as bibliotecas a continuação da escola. "A
escola prepara as pessoas para ir às bibliotecas e hoje as bibliotecas se
tornaram digitais", resumiu Abdelaziz Abid, coordenador do projeto.

O endereço do da BDM será divulgado no dia de seu lançamento.

Entre os inúmeros tesouros culturais da nova biblioteca digital estão
reproduções das mais antigas grafias e fotografias raras da América Latina.

O lançamento acontecerá na sede parisiense da Unesco, na presença de seu
diretor-geral Koichiro Matsuura, e de James H. Billington, diretor da
Biblioteca do Congresso americano.

Em 2005, a Biblioteca do Congreso propôs a organização de uma BDM para
oferecer gratuitamente uma ampla gama de livros, mapas, filmes e gravações
oriundas de bibliotecas nacionais.

O projeto, no qual participam a Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e outras 32 instituições associadas,
foi desenvolvido por uma equipe da Biblioteca do Congresso dos Estados
Unidos e participam nele instituições da Arábia Saudita, Brasil, Egito,
China, Estados Unidos, Rússia, França, Iraque, Israel, Japão, Grã-Bretanha,
México e África do Sul, entre outros países.

Sem esquecer a contribuição de Estados como o Marrocos, Uganda, Qatar,
México e Eslováquia.

"Os países emergentes querem ver como isso funciona para criar em seguida
bibliotecas digitais nacionais", destacou Abid, precisando que a Unesco
proporá ajuda a seus membros que não tiverem meios técnicos ou financeiros
para digitalizar seus acervos.
O criação da BDM estará acompanhada por uma campanha de mobilização que
tenta reunir até o fim de 2009 cerca de 60 países associados.

Fonte:
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gkmxz4ZqnTZl9fhJmh0jAww_QzlQ

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Educacao, ainda precisamos do velho modelo ?

Irapuan Martinez, um velho amigo, sempre defendia a tese de que Internet se aprende na Internet, esta afirmativa ja faz quase dez anos. Por muito tempo argumentei que não era bem assim, afinal eu tinha um Centro de Treinamento Macromedia, e precisava defender o argumento de que aprendendo comigo era mais rápido.

Mas o tempo passou e meu filho cresceu digitalmente livre, nunca instalei nenhum software de controle, e ele sempre teve o proprio computador. Ensinei-o a se defender digitalmente, e sobrevivemos. Ele usou esta liberdade para aprender à aprender. Na web ele aprendeu Perl, Ruby, C#, ActionScript 3, Modelagem de jogos, aprendeu a gerenciar e construir servidores de MMORPG, modelagem de mundos virtuais e agora estava no quarto aprendendo modelagem no Maya, e a cada dia me surpreende com uma novidade. Tudo isto com poucos livros, alias os poucos livros sobre o assunto continuam novinhos, ele não os usa, aprendeu tudo na Internet. O espirito do consumismo hedônico da nova geração nele se deu pelo conhecimento, ele é um devorador de conhecimento, mas não demonstra nenhum apego com ele, joga fora projetos sem a menor cerimonia.

Meu filho costuma chamar a escola dele de Jurasica, apesar de ter lousas digitais, não permite que o aluno use nenhum equipamento eletrônico em sala de aula. Ele não quer um notebook, pois não pode rodar os seus jogos prediletos, nem um mini notebook porque não o deixarão usar na sala de aula.

O que acabei de relatar do meu filho, é um retrato do que vem por ai, ele não é a media, faz parte de uma minoria digitalmente alfabetizada, a grande maioria dos amigos dele, avalio em 90% ainda utilizam a tecnologia sob a édige da ignorância arrogante, do preconceito midiaticamente construido, desta forma sempre tiveram a internet sob uma visão distorcida, uma internet como um mundo de perversidade e maldade, e repleta da bobagens e com nada para ensinar, azar o deles, sorte do meu filho.

E é no conflito destes dois mundos que foco meu artigo, que não tem objetivo conclusivo, apenas de levantar a discussão. A semente da questão se deu pelo último Descolagem de 2008, foram várias palestras interessantes e a do Luli, apesar dele aplicar uma dinâmica de locutor às suas palestras, pesquei muitos insights interessantes. Um deles foi sobre o que acontece com a tecnologia no ambiente educacional, foi mais ou menos assim:

O educador não entende a tecnologia, o desconhecimento apresenta-se como uma ameaça, e esta ameaça é respondida como o entendimento de que a tecnologia é nociva. Dai surge o bordão de que na Internet só tem bobagem, e que ela “come criancinhas”.

Na verdade sugiro que você leia sobre o Descolagem #3 Educação, e vejam os videos disponíveis, todos os palestrantes tiveram insights interessantes, foi um compartilhamento sublime de conhecimento.

Voltando à discussão, em breve mais crianças serão digitalmente alfabetizadas, com a ubiquidade do acesso à Internet, o computador é o único vilão que os papais dinossauros enxergam. Mas onde iremos chegar?

Simples, muito simples, como diz o Luli, as escolas são verdadeiras redes sociais, ninguem vai para a escola para aprender, vai para encontrar com os amigos, aprendem como consequencia. Alias é justamente no aprender e ensinar que esta a questão.

O modelo falido de educação no Brasil pode ficar pior, e corre o risco das crianças surpreenderem seus professores com informações e novidades que eles mesmos não sabiam. Alguns mitos foram e serão quebrados, e isto demanda uma reação rapida por parte dos educadore e escolas, é uma questão de sobrevivência, antes que eles se tornem obsoletos:

  1. Ensinar a aprender - Para muitos não existe outra opção, o professor precisa mastigar a informação e deposita-la na cabeça do aluno, mas isto é uma herança do secular sistema educional, onde um professor fala e os alunos escutam. É um mal tão sedimentado em nossa sociedade, que quando o professor tenta ser diferente, ensinando a aprender por exemplo, é criticado. Mas o certo é isto, é ensinar à aprender, aprendendo à aprender o aluno aprende a filtrar as informações, mas se o aluno aprender sozinho para que serve o professor?
  2. Orientador e motivador - O professor passa a atuar como um orientador e motivador, um instigador da curiosidade, ensina ao aluno a buscar informações relevantes, a confrontar as discordantes e principalmente o ensina à tirar suas próprias conclusões.
  3. Internet só tem bobagem - Acho que não tem bobagem maior do que esta afirmativa, e o pior é que as crianças estão descobrindo que estão sendo enganadas por seus professores, afinal não é bem assim. Tem bobagem sim, mas tem muita coisa relevante.
  4. A informação precisa ser sistematizada - Esta ai um caso curioso, a sistematização da informação para aplicação em sala de aula é uma herança do tempo que o acesso ao conhecimento era elitizado, hoje em dia muita gente compartilha informação relevante na web, e esta informação esta acessível a qualquer um. A essência esta em ensinar ao aluno à sistematizar estas informação, quem sabe um roteiro de pesquisa não ajude?
  5. Tecnologia tira a atenção do aluno - Na verdade o aluno esta acostumado a interagir, e a buscar informações com velocidade, a nova geração esta ficando multitarefa, é aquela geração que usa o computador assiste TV e ainda pode estar ouvindo música, tudo ao mesmo tempo, “zapeando” de um para o outro na hora em que um tiver algo relevante. Imagine este mesmo aluno sentado numa carteira assistindo a um único discurso vindo de uma única fonte, no caso o professor. Esta na hora de virar a tecnologia a favor da educação.
  6. Use as novas tecnologias - Não evite as tecnologias, a proibição de celular em sala de aula é uma grande bobagem, a nova geração é conectada, e diferente do que se preconizava, tem intensa vida social online, e tem boa parte do seu lazer digital em grupo. As escolas deveriam aprender com a industria dos Games, porque não uma aula por semana no Second Life? Porque não adaptar um MMORPG para ensinar história? Porque não pedir um trabalho de Geografia no Google Maps, ou modelo de física no Flash?

A questão é que não faço ideia de como pode ser o novo modelo de educação, não sou educador, sou publicitário e professor eventual, posso estar falando um monte de bobagens, mas ao menos emito minhas opiniões, compartilho minhas ideias, gosto de uma boa e construtiva discussão.

E você acha que o velho modelo educacional ainda sobrevive quantos anos?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Julio!!!!

Por trás dos links, as pessoas

Por trás dos links, as pessoas

Há dois séculos, a ciência descobriu e passou a analisar as redes. Há vinte anos, elas estão revolucionando o jeito de a sociedade se relacionar consigo mesma
Dalton Martins, Hernani Dimantas

O matemático suíço Leonhard Euler foi, em 1780, o precursor do pensamento analítico sobre redes. Suas primeiras idéias diziam que eram compostas por nós e links — elos que ligam os nós. Os links são aleatoriamente espalhados entre os nós, formando redes de distribuição aleatória. A teoria de Euler aponta para o caos, ao sustentar que não existem nós centrais e que toda a rede é desprovida de hierarquia.

A palavra rede tem assumido novas conotações, e novas estruturas de comunicação surgiram, potencializando as possibilidades de conversação e circulação da informação. As estruturas matemáticas criadas por Euler para análise das redes passaram a ganhar maior relevância, mas muitas de suas previsões se mostraram sem sentido quando começamos a olhar para as redes sociais, a forma como os seres humanos se organizam — e para como se articulam nossas ações em rede.

Se Euler estivesse correto, os quase 6 bilhões de seres humanos (nós) no planeta deveriam ter aproximadamente o mesmo número de amigos (links). No entanto, nos anos 60, Stanley Milgram, um pesquisador da Universidade de Harvard, realizou um experimento que ficou conhecido como o "os 6 graus de separação".

A compreensão popular do experimento de Milgram aponta que estamos a apenas 6 graus de qualquer pessoa no mundo. Exemplo: será que conheço alguém, que conhece outro alguém, que conhece alguém que te conhece? Estar no máximo a 6 níveis de separação de qualquer outra pessoa significa que o mundo é pequeno pra caramba.
O foco nas experiências sociais

Entretanto, os resultados que Milgram obteve de seus experimentos foram mais radicais. Bem diferentes. Ele descobriu situações como as seguintes:

> Três níveis de separação: algumas pessoas possuem links privilegiados, logo conseguem conectar-se com outras por três níveis de separação;

> Cem níveis de separação: outras pessoas precisam de em torno de cem links para chegarem a outras pessoas. É sinal de que são grupos de pessoas bem mal conectados, mal posicionados na estrutura das redes sociais;

> Sem links: muitas pessoas possuem poucos ou nenhum link, restando como verdadeiras ilhas isoladas dentro da sociedade.

Surge, do experimento de Milgram, uma nova forma de enxergar as redes. O foco está nas experiências sociais. Os nós não seriam conectados aleatoriamente uns aos outros. Alguns deles aglutinam posições estratégicas, como elos. Ou seja, pessoas assumem papéis de protagonismo social a partir de suas possibilidades de conexão com outras pessoas.

Para validar tal premissa, um sociológo norte-americano, Mark Granovetter, realizou um outro experimento no final dos anos 60. Tinha por objetivo pesquisar a forma como as pessoas procuravam emprego. Granovetter identificou que a sociedade era formada por grupos de pessoas, ou clusters. Ele percebeu que as pessoas que possuíam conexões ou relações distantes com outras fora círculo familiar tinham duas vezes mais chances de conseguir uma vaga do que pessoas que tinham mais conexões próximas apenas no âmbito da família e dos amigos próximos. A análise de Granovetter era de que grupos próximos mais fortemente conectados possuíam interesses similares, logo com menos possibilidades de inserção.
Um novo padrão de relações entre as pessoas

Essas descobertas geraram uma revolução no pensamento da sociologia da época. Novas propostas de como potencializar as conexões entre as redes sociais começaram a surgir. Pensando estrategicamente, o número de conexões era fundamental para ampliar a circulação da informação, seja de idéias, de vagas de emprego ou de experiências compartilhadas.

Coincidentemente ou não, estamos falando da mesma época do surgimento da Internet, as primeiras conexões entre computadores, permitindo que mensagens bastante simples fossem trocadas e que pessoas pudessem estabelecer novos links de conexão entre si.

A tecnologia que vinha sendo desenvolvida parecia permitir uma ampliação nesse potencial de conexão entre as pessoas, criando novas possibilidades de ampliação da capilaridade das redes sociais. Novas formas de conexão, de estabelecimento de links, novas formas de desenharmos nossas próprias redes e os grupos de pessoas organizados em torno da tecnologia. Surgia a dinâmica do virtual, do email, das listas de discussões e das possibilidades de nos linkarmos usando as tecnologias da rede.

De lá para cá, muitas idéias foram implementadas, muitas tecnologias foram desenvolvidas. Surgiram Yahoo, Google, Orkut, MySpace, Facebook, Ning, Blogger, Youtube e tantas outras possibilidades de conversação em rede. Das muitas promessas de ampliação da conexão e do "todos conversando com todos", que as tecnologias da informação trouxeram, ainda observamos os mesmos padrões de comportamento das redes: clusters extremamente influentes nas articulações em rede e grupos isolados, com pouca ou nenhuma conectividade.

Novas tecnologias e novos desafios pela frente. O cenário está montado. Emerge um espaço para construção de um diálogo contínuo por várias lentes e percepções das dinâmicas de conversação, de desenvolvimento e ação que as novas tecnologias permitem a partir da construção de novas formas de redes sociais.

Cantar faz parte

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=2539741

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Web 2.0 Summit

Web 2.0 Summit (formerly named Web 2.0 Conference) is an exclusive annual event that connects the business leaders, big thinkers, and innovative technologists who are shaping the future of the Web.

Attendance to Web 2.0 Summit is by invitation only to maintain an intimate setting and foster dialogue among all participants. Web 2.0 Summit is moderated by John Battelle, Program Chair, and O'Reilly CEO and founder, Tim O'Reilly.

Since 2004, Web 2.0 Summit has become the gathering place for international leaders of the new Web, who gather to discuss and debate the most important issues, strategies, and disruptions driving the Internet economy.


VEJA http://web20summit.blip.tv/posts?view=archive&nsfw=dc

Web 2.0

terça-feira, 14 de abril de 2009

Educação é o que mais preocupa o Brasil

Fonte PNUD

Brasília, 09/04/2009

Educação é o que mais preocupa o Brasil
Ensino está em primeiro lugar entre o que os brasileiros dizem que precisa mudar, mostra análise prévia de pesquisa de opinião do PNUD-->
Leia também
Para brasileiro, futuro depende de ensinoSite de pesquisa sobre RDH Brasil está no ar
DAYANNE SOUSAda PrimaPagina
A educação é o tema que mais afeta a vida dos brasileiros, na opinião deles mesmos. Essa é a conclusão de um levantamento prévio da campanha do PNUD Brasil Ponto a Ponto, que ouviu até agora cerca de 360 mil pessoas sobre o que elas acreditam que precisa mudar no país. Até agora, um quinto respostas foram analisadas e, nesta amostra, a educação foi o tema mais tratado, correspondendo às mensagens de 20% dos participantes.
Dentro do tema educação, a qualidade do aprendizado lidera as preocupações, representando 25% das respostas. O resultado é uma prévia da análise final e as conclusões definitivas devem ser produzidas até o fim de maio. Espera-se que ao fim da consulta, que continua até dia 15, tenham sido ouvidas 400 mil pessoas. Ainda é possível participar enviando vídeos ou textos ao site da campanha.
O volume de menções à educação é bastante significativo, já que as respostas para a consulta são abertas, ou seja, não há alternativas e as possibilidades são infinitas. Ao final, o resultado será usado para escolha do tema do próximo RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) do Brasil, que deve ser publicado no início de 2010.
Em 2006, uma pesquisa de opinião feita pelo governo federal teve conclusão parecida. Dentre 50 temas de políticas públicas apresentados no Projeto Brasil 3 Tempos, a população que votou pela internet e os acadêmicos consultados colocaram a educação no topo da lista.
A estudante baiana de 16 anos Thaiza Canceglieri foi um dos participantes que mostrou preocupação com o tema. À campanha do PNUD ela afirmou que terá dificuldades para entrar na faculdade, mas se preocupa mais com o ensino dos pequenos. “Ajudaria muito investir na educação, mas eu falo lá do início, naquela fase da infância”, conta Thaiza no texto enviado ao portal da campanha. Ela é um bom exemplo do perfil da maior parte das respostas. Jovens de oito a 18 anos foram a maioria (pelo menos 60%) dos participantes da Brasil Ponto a Ponto, diz Flávio Comim, coordenador do RDH no Brasil. Para ele, isso mostra que os estudantes estão sofrendo o impacto dos problemas da educação. A violência nas escolas foi o segundo tema mais criticado por aqueles que elegeram a educação a maior dificuldade. Foram 20% das respostas sobre o tema.
"O que precisa mudar no Brasil é o brasileiro"
Com cerca de 10% do total de opiniões, a violência nas ruas foi o segundo tema mais mencionado na pesquisa. A preservação do meio ambiente veio atrás, defendida por 6% das pessoas.
O quarto lugar porém, é para Comim um dos mais surpreendentes. Pelo menos 6% das respostas apuradas até agora dizem que mudar o país depende de ações individuais, dos valores de cada pessoa. “Isso surpreende porque sempre houve uma cultura de culpar o governo pelos problemas, essa resposta mostra um amadurecimento”, afirma.
“Não é o Brasil que tem que mudar e sim quem o governa e as pessoas que o habitam. Se todos pensassem mais e fizessem menos besteiras, as coisas não estariam onde estão”, diz um jovem em fórum que o site da MTV lançou para colaborar com a campanha.
A campanha Brasil Ponto a Ponto começou em novembro, com audiências públicas nas principais cidades do país. Passou receber mensagens pela internet, mas também realizou visitas nos dez municípios de pior Índice de Desenvolvimento Humano e coletou opiniões nas escolas de ensino fundamental e médio.

domingo, 5 de abril de 2009

Video do Conectivismo

Video do Conectivismo

Inicio



Dando inicio ao nosso estudo da web2.0 e seu impacto na educacao deixo abaixo um texto sobre o Conectivismo

CONECTIVISMO

Uma Teoria de Aprendizagem para a Idade Digital

12 de Dezembro, 2004
George Siemens

Atualização (5 de abril de 2005): Acrescentei um website para explorar este conceito em www.connectivism.ca

Introdução

Behaviorismo, cognitivismo e construtivismo são as três grandes teorias da aprendizagem mais freqüentemente usadas na criação de ambientes instrucionais. Essas teorias, contudo, foram desenvolvidas em um tempo em que a aprendizagem não sofria o impacto da tecnologia. Através dos últimos vinte anos, a tecnologia reorganizou o modo como vivemos, como nos comunicamos e como aprendemos. As necessidades de aprendizagem e teorias que descrevem os princípios e processos de aprendizagem, devem refletir o ambiente social vigente. Vaill enfatiza que “a aprendizagem deve ser um modo de ser – um conjunto usual de atitudes e ações que pessoas e grupos empregam para tentar se manter a par dos eventos surpreendentes, novos, confusos, perturbadores que aparecem sempre...”(1996, p.42)

Os aprendizes até bem pouco tempo atrás (40 anos) podiam completar a escolaridade requerida e iniciar uma carreira que podia, na maioria das vezes, durar a vida toda. O desenvolvimento das informações era lento. A duração do conhecimento era medida em décadas. Hoje, esses princípios de origem foram alterados. O conhecimento está crescendo exponencialmente. Em muitas áreas a duração do conhecimento é agora medida em meses e anos. Gonzalez (2004) descreve os desafios da diminuição rápida da duração do conhecimento:

“Um dos fatores mais persuasivos é o encolhimento da duração do conhecimento para metade. A “meia-duração do conhecimento” é o tempo de duração desde que se obtém o conhecimento até que ele se torne obsoleto. Metade do que é conhecido hoje não era conhecido há 10 anos atrás. A quantidade de conhecimento no mundo dobrou nos últimos 10 anos e está dobrando a cada 18 meses, de acordo com a Sociedade Americana para Treinamento e Desenvolvimento (ASTD). Para combater o encolhimento para a metade da duração do conhecimento, as organizações tem sido forçadas a desenvolver métodos para disseminar a instrução

Algumas tendências importantes na aprendizagem:

  • Muitos aprendizes vão se mover por uma variedade de áreas diferentes, possivelmente sem relação uma com as outras, durante o curso de suas vidas.

  • A aprendizagem informal é um aspecto significativo de nossa experiência de aprendizagem. A educação formal não mais cobre a maioria de nossa aprendizagem. A aprendizagem agora, ocorre de várias maneiras – através de comunidades de prática, redes pessoais e através da conclusão de tarefas relacionadas ao trabalho.

  • A aprendizagem é um processo contínuo, durando por toda a vida. Aprendizagem e atividades relacionadas ao trabalho não são mais separadas. Em muitas situações, são as mesmas.

  • A tecnologia está alterando (reestruturando) nossos cérebros. As ferramentas que usamos definem e moldam nosso modo de pensar.

  • A organização e o indivíduo são ambos organismos que aprendem. O aumento da atenção à gestão do conhecimento ressalta a necessidade de uma teoria que tente explicar a ligação entre a aprendizagem individual e organizacional.

  • Muitos dos processos anteriormente tratados pelas teorias de aprendizagem (especialmente no processamento cognitivo de informações) agora podem ser descarregados para, ou suportados pela tecnologia.

  • Saber como e saber o que está sendo suplementado pelo saber onde (o conhecimento de onde encontrar o conhecimento que se necessita)

Background

Driscoll (2000) define a aprendizagem como “uma mudança persistente na performance ou no potencial para performance... [que] deve surgir como resultado da experiência e interação do aprendiz com o mundo” (p.11). Esta definição engloba muito dos atributos comumente associados ao behaviorismo, cognitivismo e construtivismo – em outras palavras, aprendizagem como um estado de mudança duradoura (emocional, mental, fisiológica (i.e. habilidades)) que surge como resultado de experiências e interações com conteúdo ou outra pessoa.

Driscoll (2000, p.14-17) explora algumas das complexidades de definir aprendizagem. O debate se concentra em:

  • Fontes válidas de conhecimento – Adquirimos conhecimento através de experiências? Isso é inato (presente no nascimento)? Adquirimos isso através do pensar e raciocinar?

  • Conteúdo do conhecimento – O conhecimento é, realmente, possível de ser conhecido? Ele é possível de ser conhecido diretamente através da experiência humana?

  • A consideração final foca em três tradições epistemológicas em relação à aprendizagem: Objetivismo, Pragmatismo e Interpretivismo.

    • O Objetivismo (semelhante ao behaviorismo) prega que a realidade é externa e é objetiva, e o conhecimento é obtido através de experiências.

    • O Pragmatismo (semelhante ao cognitivismo) prega que a realidade é interpretada, e o conhecimento é negociado através da experiência e raciocínio.

    • Interpretivismo (semelhante ao construtivismo) prega que a realidade é interna, e o conhecimento é construído.

Todas essas teorias da aprendizagem sustentam a noção de que o conhecimento é um objetivo (ou um estado) que pode ser alcançado (se já não for inato) ou através do raciocínio ou das experiências. O behaviorismo, cognitivismo e construtivismo (construídos na tradição epistemológica) tentam explicar como é que uma pessoa aprende.

O behaviorismo prega que a aprendizagem é, em grande parte, impossível de conhecer, isto é, possivelmente não podemos entender o que se passa dentro de uma pessoa (a “teoria da caixa preta”). Gredler (2001) considera que o behaviorismo é composto de várias teorias que fazem três suposições sobre a aprendizagem:

  1. O comportamento observável é mais importante do que entender atividades internas
  2. O comportamento deve ser focado em elementos simples: estímulos e respostas específicas
  3. Aprendizagem tem a ver com mudança de comportamento

O cognitivismo, freqüentemente assume um modelo de processamento de informações por computador. A aprendizagem é vista como um processo de inputs, guardados na memória de curto prazo, e codificados para serem buscados no longo prazo. Cindy Buell detalha este processo: “Nas teorias cognitivas, o conhecimento é visto como construtos mentais simbólicos na mente do aprendiz, e o processo de aprendizagem é o meio pelo qual essas representações simbólicas são passadas para a memória.”

O construtivismo sugere que os aprendizes criam conhecimento na medida em que tentam entender suas experiências (Driscoll, 2000, p.376). O behaviorismo e o cognitivismo vêem o conhecimento como sendo externo ao aprendiz e o processo de aprendizagem como o ato de internalizar conhecimento. O construtivismo assume que os aprendizes não são recipientes vazios que devem ser preenchidos com conhecimento. Ao invés disso, os aprendizes estão tentando, ativamente, criar significado. Os aprendizes, na maioria das vezes, selecionam e perseguem sua própria aprendizagem. Os princípios construtivistas reconhecem que a aprendizagem através da vida real é desordenada e complexa. Salas de aula que emulam a “confusão” dessa aprendizagem serão mais efetivas na preparação de aprendizes para aprenderem a vida toda.

Limitações do Behaviorismo, Cognitivismo e Construtivismo

Um dogma central da maioria das teorias de aprendizagem é que a aprendizagem ocorre dentro da pessoa. Mesmo a visão construtivista social, que defende que a aprendizagem é um processo realizado socialmente, promove a primazia da pessoa (e seu / sua presença física – i.e. baseado no cérebro) na aprendizagem. Estas teorias não abordam a aprendizagem que ocorre fora da pessoa (i.e. aprendizagem que é armazenada e manipulada através da tecnologia). Elas também falham em descrever como a aprendizagem acontece dentro das organizações.

As teorias da aprendizagem estão preocupadas com o processo atual de aprendizagem, não com o valor do que está sendo aprendido. Em um mundo ligado em rede, a espécie exata de informação que adquirimos é explorando a sua importância. A necessidade de avaliar a importância de aprender alguma coisa é uma meta-habilidade que é aplicada antes da própria aprendizagem começar. Quando o conhecimento é sujeito à parcimônia, o processo de avaliar a importância é assumido como intrínseco à aprendizagem. Quando o conhecimento é abundante, a avaliação rápida do conhecimento é importante. Preocupações adicionais surgem do rápido aumento da informação. Nos ambientes atuais, freqüentemente, a ação é necessária sem aprendizagem pessoal – isto é, é preciso agir buscando informações fora do nosso conhecimento primário. A habilidade de sintetizar e reconhecer conexões e padrões é uma habilidade valiosa.

Muitas questões importantes são levantadas quando as teorias da aprendizagem estabelecidas são vistas através da tecnologia. A tentativa natural dos teóricos é continuar a revisar e desenvolver as teorias na medida em que as condições mudam. Em algum ponto, no entanto, as condições subjacentes se alteraram tão significativamente, que as modificações posteriores não são mais perceptíveis. É necessária uma abordagem inteiramente nova.

Algumas questões a serem exploradas em relação às teorias da aprendizagem e o impacto da tecnologia e das novas ciências (caos e redes) na aprendizagem:

  • Como as teorias da aprendizagem são impactadas quando o conhecimento não é mais adquirido de maneira linear?

  • Que ajuste é necessário fazer nas teorias da aprendizagem quando a tecnologia realiza muitas das operações cognitivas anteriormente realizadas pelos aprendizes (armazenamento e recuperação de informação)?

  • Como podemos nos manter atualizados em uma ecologia da informação que evolui rapidamente?

  • Como as teorias da aprendizagem lidam com momentos onde o desempenho é necessário, na ausência de uma compreensão completa?

  • Qual o impacto das redes e teorias da complexidade na aprendizagem?

  • Qual é o impacto do caos como um processo complexo de reconhecimento de padrões na aprendizagem?

  • Com o aumento do reconhecimento das interconexões em diferentes campos de conhecimento, como os sistemas e teorias da ecologia são percebidos à luz das tarefas de aprendizagem?

Uma Teoria Alternativa

A inclusão da tecnologia e do fazer conexões como atividades de aprendizagem começa a mover as teorias da aprendizagem para uma idade digital. Não podemos mais, pessoalmente, experimentar e adquirir a aprendizagem de que necessitamos para agir. Nós alcançamos nossa competência como resultado da formação de conexões. Karen Stephenson coloca:

“A experiência tem sido considerada, há muito tempo, o melhor professor para o conhecimento. Desde que não podemos experimentar tudo, as experiências de outras pessoas e portanto, outras pessoas, tornam-se o substituto para o conhecimento. ´Eu guardo meu conhecimento em meus amigos` é um axioma para juntar conhecimento juntando pessoas (não datado).”

O caos é uma nova realidade para os trabalhadores do conhecimento. A ScienceWeek (2004) cita a definição de Nigel Calder de que caos é “uma forma crítica de ordem”. Caos é o colapso da previsibilidade, evidenciada em arranjos complicados que, inicialmente, desafiam a ordem. Ao contrário do construtivismo, que afirma que os aprendizes tentam promover a compreensão através de tarefas de construção de significados, o caos afirma que os significados existem – o desafio dos aprendizes é reconhecer os padrões que parecem estar ocultos. A construção de significados e a formação de conexões entre comunidades especializadas são atividades importantes.

O caos, como ciência, reconhece as conexões de tudo com tudo. Gleick (1987) afirma: “Em condições atmosféricas, por exemplo, pode ser traduzido naquilo que é conhecido meio jocosamente como o Efeito Borboleta – a noção de que uma borboleta agitando o ar hoje em Pequim pode mudar sistemas de tempestade no mês seguinte em Nova Iorque (p.8). Esta analogia ressalta um desafio real: “a grande dependência das condições iniciais” impacta profundamente aquilo que aprendemos e como agimos, baseados em nossa aprendizagem. A tomada de decisão ilustra isso. Se as condições subjacentes usadas para tomar as decisões mudam, a própria decisão não é mais tão correta como era quando foi tomada. A habilidade de reconhecer e se ajustar às mudanças nos padrões é uma tarefa chave da aprendizagem.

Luis Mateus Rocha (1998) define auto-organização como “a formação espontânea de estruturas, padrões, ou comportamentos bem organizadas, a partir de condições iniciais randômicas.” (p.3). A aprendizagem, como um processo auto-organizador exige que o sistema (sistema de aprendizagem pessoal ou organizacional) “seja aberto quanto a informações (informationally), isto é, para que ele seja capaz de classificar suas próprias interações com um ambiente, deve ser capaz de mudar sua estrutura...”(p.4). Wiley e Edwards reconhecem a importância da auto-organização como um processo de aprendizagem: “Jacobs afirma que as comunidades se auto-organizam de um modo similar a insetos sociais: ao invés de milhares de formigas cruzando as trilhas de feromônio uma das outras e mudando seu comportamento de acordo, milhares de humanos passam uns pelos outros nas calçadas e mudam seu comportamento de acordo.” Auto-organização em um nível pessoal é um micro-processo dos construtos maiores de auto-organização do conhecimento criados nos ambientes corporativos ou institucionais. Para aprender, em nossa economia do conhecimento, é necessário ter a capacidade de formar conexões entre fontes de informação e daí criar padrões de informação úteis.

Redes, Pequenos Mundos, Ligações Fracas

Uma rede pode, simplesmente, ser definida como conexões entre entidades. Redes de computadores, grades de poder e redes sociais, todas funcionam através do princípio simples de que as pessoas, grupos, sistemas, nós, entidades podem ser conectadas para criar um todo integrado. Alterações dentro da rede têm efeitos de onda no todo.

Albert-László Barabási afirma que “os nós sempre competem por conexões porque ligações representam sobrevivência em um mundo interconectado” (2002, p.106). Esta competição é grandemente embotada dentro de uma rede de aprendizagem pessoal, mas a atribuição de valor a certos nós em detrimento de outros é uma realidade. Os nós que conseguem alcançar maior importância serão mais bem sucedidos em conseguir conexões adicionais. Em termos de aprendizagem, a probabilidade de que um conceito de aprendizagem será ligado depende de quão bem ele está atualmente ligado. Os nós (podem ser áreas, idéias, comunidades) que se especializam e ganham reconhecimento por sua especialização tem maiores chances de reconhecimento, resultando assim na polinização cruzada de comunidades de aprendizagem.

Vínculos fracos são ligações ou pontes que permitem conexões curtas entre informações. As redes de nosso pequeno mundo são, geralmente, habitadas por pessoas cujos interesses e conhecimento são semelhantes aos nossos. Encontrar um novo emprego, por exemplo, freqüentemente ocorre através de vínculos fracos. Este princípio tem grande destaque na noção de serendipidade, inovação e criatividade. Conexões entre idéias e campos muito diferentes podem criar novas inovações. .

Conectivismo

Conectivismo é a integração de princípios explorados pelo caos, rede, e teorias da complexidade e auto-organização. A aprendizagem é um processo que ocorre dentro de ambientes nebulosos onde os elementos centrais estão em mudança – não inteiramente sob o controle das pessoas. A aprendizagem (definida como conhecimento acionável) pode residir fora de nós mesmos (dentro de uma organização ou base de dados), é focada em conectar conjuntos de informações especializados, e as conexões que nos capacitam a aprender mais são mais importantes que nosso estado atual de conhecimento.

O conectivismo é guiado pela noção de que as decisões são baseadas em fundamentos que mudam rapidamente. Novas informações estão sendo continuamente adquiridas. A habilidade de distinguir entre informações importantes e não importantes é vital. A habilidade de reconhecer quando novas informações alteram o panorama baseado em decisões tomadas ontem, também é crítica.

Princípios do conectivismo:

  • Aprendizagem e conhecimento apoiam-se na diversidade de opiniões.

  • Aprendizagem é um processo de conectar nós especializados ou fontes de informação.

  • Aprendizagem pode residir em dispositivos não humanos.

  • A capacidade de saber mais é mais crítica do que aquilo que é conhecido atualmente.

  • É necessário cultivar e manter conexões para facilitar a aprendizagem contínua.

  • A habilidade de enxergar conexões entre áreas, idéias e conceitos é uma habilidade fundamental.

  • Atualização (“currency” – conhecimento acurado e em dia) é a intenção de todas as atividades de aprendizagem conectivistas.

  • A tomada de decisão é, por si só, um processo de aprendizagem. Escolher o que aprender e o significado das informações que chegam é enxergar através das lentes de uma realidade em mudança. Apesar de haver uma resposta certa agora, ela pode ser errada amanhã devido a mudanças nas condições que cercam a informação e que afetam a decisão.

O conectivismo também trata das mudanças que muitas corporações encontram nas atividades de gestão do conhecimento. O conhecimento que fica em uma base de dados precisa ser conectado com as pessoas certas nos contextos certos para que possam ser classificadas como aprendizagem. O behaviorismo, cognitivismo e construtivismo não se referem aos desafios do conhecimento e transferência organizacionais.

O fluxo de informação dentro de uma organização é um elemento importante na efetividade da organização. Em uma economia do conhecimento, o fluxo da informação é o equivalente ao tubo de óleo em uma economia industrial. Criar, preservar e utilizar o fluxo da informação deve ser uma atividade organizacional chave. O fluxo da informação pode ser comparado a um rio que serpenteia através da ecologia da organização. Em algumas áreas, o rio forma piscinas e em outras fica raso. A saúde da ecologia de aprendizagem da organização depende do cultivo efetivo do fluxo de informação.

A análise das redes sociais é um elemento adicional na compreensão dos modelos de aprendizagem na era digital. Art Kleiner (2002) explora a “quantum theory of trust” de Karen Stephenson que “explica não apenas como reconhecer a capacidade cognitiva coletiva de uma organização, mas como cultivá-la e aumentá-la”. Dentro de uma rede social, hubs (pontos comuns de conexão de dispositivos) são pessoas bem conectadas que são capazes de estimular e manter o fluxo do conhecimento.

O ponto de partida do conectivismo é o indivíduo. O conhecimento pessoal é composto por uma rede que alimenta as organizações e instituições, que por sua vez alimenta de volta a rede e então continua a prover aprendizagem para o indivíduo. Este ciclo de desenvolvimento do conhecimento (da pessoa para a rede para a organização) permite que os aprendizes se mantenham atualizados em seus campos, através das conexões que formaram.

Landauer e Dumais (1997) exploram o fenômeno de que “as pessoas tem muito mais conhecimento do que parece estar presente na informação para a qual elas se expuseram”. Eles fornecem um foco conectivista ao afirmar que “a simples noção de que alguns domínios de conhecimento contem um número vasto de inter-relações fracas que, se apropriadamente exploradas, podem amplificar muito a aprendizagem através de um processo de inferência”. O valor do reconhecimento de padrões e de conectar-se em nossos “pequenos mundos de conhecimento” fica aparente no impacto exponencial que causam na nossa aprendizagem pessoal.

John Seely Brown apresenta uma noção interessante de que a internet alavanca os pequenos esforços de muitos com os grandes esforços de poucos. A premissa central é que conexões criadas com nós não usuais suportam e intensificam atividades de grande esforço existentes. Brown fornece o exemplo do projeto de sistema do Maricopa County Community College que junta cidadãos seniores com alunos das escolas básicas em um programa de tutores. As crianças “escutam melhor esses “avós” do que seus próprios pais, o programa de tutores realmente ajuda os professores...os pequenos esforços da maioria – os seniores – complementam os grandes esforços dos poucos – os professores.” (2002). Essa amplificação da aprendizagem, conhecimento e compreensão através da extensão de uma rede pessoal é a síntese do conectivismo.

Implicações

A noção de conectivismo tem implicações em todos os aspectos da vida. Este documento foca principalmente no seu impacto na aprendizagem, mas os seguintes aspectos são também impactados:

  • Gestão e liderança. A gestão e organização de recursos para alcançar resultados desejados é um desafio significativo. Dar-se conta de que o conhecimento completo não pode existir na mente de uma pessoa exige uma abordagem diferente para criar uma visão geral da situação.Times diferentes com pontos de vista diferentes são uma estrutura crítica para a exploração completa de idéias. Inovação é também um desafio adicional. A maioria das idéias revolucionárias de hoje, existiram um dia como elementos marginais. A habilidade de uma organização de incentivar, cultivar e sintetizar os impactos de visões diferentes da informação é crítica para a sobrevivência da economia da informação. A velocidade da “idéia para a implementação” é também melhorada em uma visão sistêmica da aprendizagem.

  • Mídia, notícias, informação. Esta tendência está bem a caminho. As principais organizações de meios de comunicação estão sendo desafiadas pelo fluxo aberto, em tempo real e de duas vias dos blogs.

  • Gestão pessoal do conhecimento em relação à gestão organizacional do conhecimento.

  • Design (desenho) de ambientes de aprendizagem.

Conclusão:

O tubo é mais importante do que o conteúdo dentro do tubo. Nossa habilidade em aprender aquilo que precisamos para amanhã é mais importante do que aquilo que sabemos hoje. Um verdadeiro desafio para qualquer teoria da aprendizagem é ativar o conhecimento conhecido até o ponto da aplicação. No entanto, quando o conhecimento é necessário, mas não conhecido, a habilidade de se “plugar” a fontes para encontrar o que é requerido, torna-se uma habilidade vital. Na medida em que o conhecimento continua a crescer e evoluir, o acesso a aquilo que é necessário é mais importante do que aquilo que o aprendiz possui atualmente.

O conectivismo apresenta um modelo de aprendizagem que reconhece as mudanças tectônicas na sociedade, onde a aprendizagem não é mais uma atividade interna, individualista. O modo como a pessoa trabalha e funciona são alterados quando se utilizam novas ferramentas. O campo da educação tem sido lento em reconhecer, tanto o impacto das novas ferramentas de aprendizagem como as mudanças ambientais na qual tem significado aprender. O conectivismo fornece uma percepção das habilidades e tarefas de aprendizagem necessárias para os aprendizes florescerem na era digital.

Competências Profissionais – www.webcompetencias.com

Referências

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